Post da nossa amiga Cineasta
baseado em fatos reais
Ele ama o nordeste. Eu também. Ele ama praia. Eu também. Ele ama frutos do mar. Eu também. Fui poucas vezes ao nordeste, mas foi suficiente para trocarmos informações e histórias particulares sobre a região. Até aí o papo tava digno.
Como de praxe, sempre que uma piriga inicia uma conversa com um homem qualquer, seja pra passar o tempo ou com segundas intenções, o que é prudente fazer? Dar aquele bizú geral. Ele não era bonito, não tinha grandes atributos físicos, digamos, mas é como eu sempre digo: homem tem que ser inteligente e bom de cama. Apenas isso. Beleza não é essencial. Beleza se constrói. Nada que uma malhaçãozinha de leve e uma roupa estilosa não possam dar um jeito. E nesse caso o papo fluia bem.
Logo depois, ainda na tag “viagens”, ele começou a falar sobre suas incursões na região sul do país, que eu ainda não tive o prazer de conhecer. Falou de Florianópolis, que tem praias lindas, é uma cidade limpa, organizada e tal. Até aí, tudo certo. Mas eis que ele solta a pérola podre: “Só tem gente bonita lá. Não tem preto... assim, não sou racista não, mas só tem gente linda mesmo”. WHAT?!?!
Qual é o conceito de beleza que ele tem na sua mente pútrida? Seja qual for, é abominável, só por esse comentário dá pra perceber. Ele continuou a tecer comentários sobre Floripa, mas a essa altura eu já tava com fadiga de continuar aquela conversa, bem como da cara dele. Nesse exato momento passa um homem correndo atrás de um menino numa velocidade tal que só o que deu pra ver era que o menino era maltrapilho e negro e o homem era bem vestido. Diante do ocorrido, esse cidadão que conversava comigo lança uma pérola mais podre ainda: “Por mim pegava essa gente, botava num navio de volta e quando chegasse tacava fogo lá”. Cadê reação num momento desse??? O que eu queria era cuspir na cara desse sujeito. Pedi a conta imediatamente e me preparei para levantar acampamento.
Ah, já ia esquecendo. Antes de iniciarmos esta conversa, como é de costume nos bate papos à moda brasileira nas mesas dos bares, falamos um pouco sobre quem somos e sobre o que fazemos da vida. Ele é agrônomo e tem uma propriedade rural próximo a Macaé. Como um dos assuntos que tem me interessado cada vez mais é sustentabilidade como alternativa, pensei na hora “olha que digno!”. No entanto, a conversa que poderia ser interessante descambou pra outro lado e pude ver que nem sempre conhecimento significa sabedoria. Esse indivíduo se mostrou bastante ignorante, preconceito e nojento. No fim, ainda teve a desfaçatez de me cantar e perguntar se poderíamos nos ver novamente. Eu peguei o cartão dele e disse “sim, claro”. Menti, obviamente. O idiota vai morrer esperando minha ligação. O cartão evidentemente já foi pro lixo. Sujeitinho mais intragável!
Fica a dica para os candidatos a rabiscos: o mundo evoluiu, as mulheres evoluiram, as pessoas no geral evoluiram... então vê se vocês conseguem acompanhar o ritmo, tá? Gato, você pode ser o homem mais interessante do mundo, mas PRECONCEITO NÃO DÁ!!!!
