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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A anti-negação



Por dois minutos faça uma mini meditação.

Pare tudo o que está fazendo, respire fundo três vezes e tente mentalizar alguns rabiscos que já passaram pela sua vida. Relembre de algumas histórias e seus desfechos.

Agora foque nos caras que você acredite que não eram muito afim de você. Provavelmente eles desmarcaram encontros, sumiram do chat, e disseram que não viram suas trinta ligações e cinquenta mensagens.

Relembre toda vez que você tentou ouvir a verdade, perguntou se ele não estava afim, se estava acontecendo alguma coisa. No fundo você já sabia a verdade, que ele não estava tão na sua, mas queria ouvir para internalizar e seguir o rumo da vida.

Provavelmente você ouviu que ele andava muito ocupado, ou que você estava viajando, que não tinha nada demais.

Sabe porquê? Porque cafuçus são adeptos da anti-negação.

No fundo eles sabem que vocês dois não deram liga. Talvez ele esteja interessado em outra periga, ou ainda esteja sofrendo as dores de cotovelo de um amor antigo. O problema é que, por uma construção social, disseminada em mesas de bar e apoiada pelos semelhantes deles, existe uma sabedoria popular masculina de que não se deve nunca, eu disse NUNCA, dizer não à uma mulher.

Isso quer dizer que ele pode não querer nunca mais te encontrar, não ter a menor vontade de tomar um chope com você, mas, ao invés de aplicar a sinceridade, mesmo que doa um pouco, e te deixar livre para ir em busca de outro rabisco, ele simplesmente não diz a verdade. Não diz que não está afim de você. 
Não diz nada.

Não pense que rola só com rabiscagens avulsas. E aquele cara que terminou o relacionamento com um motivo estranho e vazio? Disse que não é que não gostava mais de você, era só o momento errado. OI? 

Mas nós mulheres na maioria das vezes não usamos essa estratégia. Fazemos as honestas, dizemos para o cara que não vai rolar o chope, ao  invés de fazer como eles, dizer que HOJE não vai rolar o chope.

Pois isso é uma técnica de giração de prato da mais alta maestria masculina que também deve ser aplicada por nós. Em nenhuma hipótese admita que não vai sair com o cara, por mais que ele seja feio, estranho, chato e se ache o tal. A verdade, nós sabemos, é que essa pegação nunca vai acontecer, mas não precisa verbalizar para o mundo, basta guardar para você.

Isso pode parecer maquiavélico. E é mesmo, mas, como lutamos por direitos iguais, devemos também entender as estratégias alheias e usá-las. A sensação de que em alguma hipótese, mesmo que extremamente distante, você pode ser um stand by, é o que faz o NÃO uma palavra proibida no vocabulário masculino.

Faça o mesmo. Você não vai ser malvada. Vai ser anti-boa.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Piriguetchyação pré balzaca

Quando eu era (mais) jovem a percepção do mundo era outra. Eu, por exemplo, achava que a faculdade seria um determinante para um bom emprego no futuro. Achava também que aos trinta eu estaria no auge da minha estabilidade financeira vivendo uma vida de classe média clichê. Mas não.
Muitas achavam que, quando chegassem ao balzaquianismo já estariam casadas com um boy-gato-barba-por-fazer-abdômen-definido. Só que as expectativas se frustraram, baby.  Estamos chegando aos trinta, não temos o emprego dos sonhos e ainda moramos com nossos pais.
Não se desespere. É uma coisa da nossa geração. Quantos causos desse modelo você conhece? Não é por falta de esforço, mas a coisa tá engasgada mesmo.
Mas, indo direto ao assunto, esse texto é um “aconselhamento” para as pirigas que estão na fronteira dos vinte e poucos/trinta. Neste departamento, a piriguetchyação ganha alguns termos aditivos.

  1. Não fique postando nas redes sociais que você precisa de um macho, se alugando para o dia dos namorados e se jogando pra qualquer troço que lançar um “oi” no Facechat. Dignidade, amiga. Fazfavô.
  2. Nem o contrário. Ficar nessa de “sou solteira e ninguém vai me segurar/V1D4 L0K4” também não é bacana.
  3. Não comece a sair com sua prima dez anos mais nova. Dificilmente você aguentará o pique “dar novinha de vinte” e vai acabar frustrada. Os boys novinhos não merecem nosso respeito.
  4. Essa história de “correr atrás do tempo perdido” é furada. Viva seu tempo, tenha amigas da sua idade – elas vão te entender muito melhor, garanto.
  5. Não compre animais de estimação para substituir um amor/filhos. Não faça a Xuxa comprando um carrinho de bebê pra passear com o cachorro no shopping. Isso é muito #FAIL.
  6. Não deposite todas as expectativas da sua vida no primeiro boy que aparecer, só porque só apareceu ele. Aguenta firme e primeiro vê direitinho qual é. 
  7. Não se prenda a um relacionamento furado como salvação da sua vida. Vá ser feliz, minha filha!  
  8. Lembre-se: sempre é tempo de girar os pratos. Seja com 30, 50 ou 70. Não é o fim do mundo chegar aos 30 sozinha.  
Não há motivo pra desespero, miagent! Tenha foco, olhe um pouco da sua história (olha quanta coisa legal você já fez!) e keep calm. Everything is gonna be alright.
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